Tiradentes se prepara para receber o primeiro grande evento voltado para o cinema brasileiro do ano

A 21° mostra de Cinema de Tiradentes acontece entre os dias 19 e 27 de Janeiro e homenageia o ator Babu Santana.

A cidade de Tiradentes já se prepara para a 21° Mostra de Cinema de Tiradentes. Esse ano o evento acontece entre os dias 19 e 27 de Janeiro, com uma extensa programação cultural gratuita. Nesta edição a Mostra homenageia Bubu Santana, ator de forte presença nas cenas e que ficou mais conhecido após protagonizar a cinebiografia Tim Maia em 2014. A escolha do ator homenageado dialoga perfeitamente com a tema “O impacto da realidade no cinema Brasileiro contemporâneo” que será discutido esse ano. A escolha por Babu Santana se deve especialmente pela trajetória do ator, em que na maioria das vezes foge do glamour e cria uma representação da realidade. “Quase toda sua filmografia lida com narrativas situadas em ambientes em atrito e de risco, com marcas de desigualdade social brasileira. Parte significativa de seus personagens é dura e de empenho realista”, afirma Lila Foster, uma das curadoras do evento.

Cerca de 79 filmes serão exibidos durante o evento no Cine-Tenda, Cine- Lounge, Cine Praça e no Cine-Teatro Sesi. Um deles é o curta Ainda Não dirigido pela fotógrafa Julia Leite, resultado de um  projeto de TCC – Trabalho de Conclusão de curso. O filme retrata a visita de uma mãe a filha que mora em São Paulo, a partir daí problemas como o distanciamento e outras questões ligadas a relação das duas vão surgindo. Julia conta que a ideia para o roteiro surgiu através de uma experiência pessoal que ela conseguiu resolver por meio do cinema “Eu não conseguia comunicar a minha mãe angústias que eu estava guardando pra mim, e através do filme eu consegui expressar. O filme foi essencial para que a gente sentasse e conversasse sobre o hiato que existia entre a gente. E espero que o filme possa fazer com que outras mães e filhas também conversem.”

Oficina de produção de curtas. FOTO: Nereu Jr / Universo Produção

Na programação serão exibidos também sete filmes na Mostra Aurora, parte da Mostra de Cinema de Tiradentes dedicada às produções inéditas de diretores em início de carreira em longa-metragem. As obras passaram pela curadoria de Cleber Eduardo e Lila Foster, que selecionaram: “Madrigal para um Poeta Vivo” (SP), de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho; “Imo” (MG), de Bruna Schelb Correa; “Ara Pyau – A Primavera Guarani” (SP), de Carlos Eduardo Magalhães; “Dias Vazios” (GO), de Robney Bruno Almeida; “Baixo Centro” (MG), de Ewerton Belico e Samuel Marotta; “Lembro mais dos Corvos” (SP), de Gustavo Vinagre; e “Rebento” (PB), de André Morais. Os filmes passarão por um júri de especialistas em audiovisual e irão concorrer ao Troféu Barroco e diversos outros prêmios oferecidos por parceiros da Mostra. O anúncio e a premiação dos vencedores acontecem no encerramento do evento, dia 27 de janeiro, às 22h30, no Cine-Tenda.

FOTO: Divulgação IMO/Luis Bocchino

Além da exibição de filmes, homenagens e premiações o evento conta com oficinas, intervenções artísticas e seminários. Esse ano serão 10 modalidades com oferta de 225 vagas, as inscrições podem ser feitas até amanhã, dia 5, no site do evento. Entre elas está o oficina “Direção de atores” ministrada pelo ator, professor e mestre em Artes da Cena pela Unicamp, Eduardo Bordinhon. Ele conta que escolheu falar especificamente sobre a direção porque acredita que na maior parte das vezes, é a direção quem carrega a responsabilidade de propor o encontro que dará origem ao filme. Ou seja, a direção tem a responsabilidade de compreender quais as melhores técnicas para a proposta do filme e como cada um do elenco opera no seu fazer como ator ou atriz. E explica ainda: “Dentro disso, há, não somente um saber técnico ou sensível do ponto das especificidades da feitura da obra de arte, mas também de um saber ético sobre as relações humanas, já que estamos basicamente falando de relações de poder.”

Além de ator de cinema e teatro, Eduardo é professor das áreas de Direção de Atores e Interpretação para cinema em São Paulo, ele conta que conhece a mostra desde os tempos de faculdade e participou presencialmente em 2014, quando o filme “Amador” do Cristiano Burlan foi exibido no evento. Ele faz parte do elenco do filme e veio com a equipe para a exibição. O ator relata também a importância do evento: “Conheço a Mostra desde meu tempo de faculdade (fiz graduação em Artes Cênicas na Unicamp no começo dos anos 2000) e sei da sua importância no campo das reflexões e dos debates sobre o cinema. Vir para ela, ainda mais com uma oficina, que é, antes de mais nada, a proposição de uma reflexão, de um debate com os alunos, é uma oportunidade maravilhosa para pensar e contribuir para os estudos sobre o ator no cinema, tema que me é muito caro.”

Texto/VAN: Scarlet Freitas